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Alimentação plant-based e Ómega-3

A adoção de padrões alimentares plant-based (de base vegetal) tem aumentado de forma significativa nas últimas décadas, motivada tanto por fatores éticos quanto
questões de saúde humana e ambiental(1, 2). O termo alimentação plant-based abrange um espectro amplo que inclui dietas ovolactovegetarianas, vegetarianas estritas (veganas) e também padrões flexitarianos. O que todas têm em comum é o facto de privilegiarem alimentos de origem vegetal — como frutas, hortícolas, leguminosas, cereais integrais, frutos secos e sementes — reduzindo ou eliminando produtos de origem animal (3, 4).

A evidência científica demonstra que dietas plant-based bem planeadas estão associadas a benefícios relevantes para a saúde, incluindo a melhoria do perfil lipídico, a redução da inflamação sistémica, um menor risco cardiovascular e a diminuição da incidência de cancro total(5). A Direção-Geral da Saúde (DGS) reforça que, dietas vegetarianas adequadamente planeadas são saudáveis, seguras e nutricionalmente adequadas em todas as fases da vida, podendo desempenhar um papel na prevenção e no tratamento de doenças crónicas (4).

Contudo, estas vantagens dependem de um planeamento cuidado, uma vez que a exclusão parcial ou total de alimentos de origem animal pode aumentar o risco de insuficiência de determinados nutrientes. Entre os nutrientes que exigem maior atenção em dietas vegetarianas e veganas — como vitamina B12, ferro, zinco, cálcio, vitamina D e iodo — destacam-se os ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa (EPA e DHA), cuja presença na alimentação de origem vegetal é limitada.

Ómega-3: funções essenciais na saúde humana

Os ácidos gordos ómega-3 são gorduras polinsaturadas essenciais com múltiplas funções fisiológicas.

Entre os seus efeitos mais relevantes destacam-se (6, 7):

  • Regulação da pressão arterial, função renal e coagulação sanguínea;
  • Papel essencial do DHA no desenvolvimento visual e do sistema nervoso central, sobretudo durante a vida fetal e a primeira infância;
  • Diminuição do risco cardiovascular, com reduzida inflamação sistémica e stress oxidativo;
  • Possível efeito protetor em doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento;
  • Potencial efeito protetor em determinados tipos de cancro (embora a evidência permaneça contraditória).

Na alimentação, é possível obter o ómega-3 sob três formas:

  • ALA (ácido alfa-linolénico) – presente em alimentos vegetais;
  • EPA (ácido eicosapentaenóico) – encontrado principalmente em peixes gordos e algas
  • DHA (ácido docosahexaenóico) – encontrado principalmente em peixes gordos e algas.

Fontes de Ómega-3 na alimentação plant-based


Nas dietas plant-based, o ómega-3 presente deriva essencialmente do ALA, encontrado em alimentos como:

  • Sementes de linhaça (moídas),
  • Sementes de chia,
  • Sementes de cânhamo,
  • Nozes,
  • Óleos vegetais (linhaça, cânhamo, colza)

Recomendações de ingestão de ALA
As principais entidades internacionais apresentam as seguintes recomendações de ingestão de ALA:

Até ao momento, não existem recomendações específicas para a população vegetariana, porém, alguns autores, como Saunders et al.(8), sugerem que vegetarianos
devem duplicar a ingestão habitual de ALA. O desafio surge porque o ALA necessita de conversão para EPA e DHA, as formas metabolicamente ativas com efeitos fisiológicos mais expressivos.

Conversão de ALA em EPA e DHA

A conversão endógena do ALA é limitada, estimando-se que apenas 5–12% do ALA seja convertido em EPA e menos de 1% em DHA(9). Esta conversão pode ser ainda mais comprometida por fatores dietéticos, como a ingestão de ácidos gordos trans e o consumo excessivo de álcool e cafeína, bem como por inadequações nutricionais, nomeadamente deficiência proteica ou insuficiência de vitaminas e minerais cofatores (zinco, magnésio, niacina, piridoxina e vitamina C)(8).
Adicionalmente, fatores não alimentares como a genética, o sexo (menor eficiência em homens jovens), o envelhecimento, a presença de doenças crónicas e o tabagismo podem reduzir significativamente a eficiência deste processo.

Rácio Ómega-6 : Ómega-3
Para além destes determinantes, a relação entre os ácidos gordos ómega-6 e ómega-3 desempenha um papel central na regulação da conversão do ALA e na modulação da resposta inflamatória. Um excesso de ómega-6 compete pelas mesmas enzimas envolvidas na conversão do ALA em EPA e DHA, reduzindo ainda mais a sua eficiência. O rácio considerado ideal situa-se entre 2:1 e 4:1; contudo, a dieta ocidental típica apresenta frequentemente rácios superiores a 15:1, em grande parte devido ao elevado consumo de óleos vegetais como girassol, milho e soja, o que compromete o metabolismo lipídico e favorece um estado pró-inflamatório(10).

Como otimizar o ómega-3 na alimentação plant-based?
Algumas estratégias dietéticas podem ajudar a maximizar a síntese de EPA e DHA a partir do ALA:

  • Aumentar a ingestão de ALA, através das fontes vegetais;
  • Ajustar o consumo de ómega-6, uma vez que compete com o ALA pelas mesmas vias metabólicas; idealmente, manter o rácio ómega-6: ómega-3 abaixo de 4:1.
  • Limitar alimentos ultraprocessados e fontes excessivamente ricas em ómega-6, como sementes de girassol e óleo de amendoim.
  • Preferir o azeite como principal gordura culinária, dada a sua estabilidade e composição equilibrada.

Exemplos práticos de quantidade necessária para atingir 1,1 g de ALA (aprox.
recomendação mínima):

  • 5 g (1 c. sopa) de sementes de linhaça moídas
  • 6 g (1 c. sopa) de sementes de chia
  • 12 g (6 metades) de nozes
  • 13 g (2 c. sopa) de sementes de cânhamo
  • 2 g de óleo de linhaça

Quando considerar suplementação?

Apesar de determinadas estratégias dietéticas poderem otimizar a conversão do ALA, a síntese endógena de EPA e DHA permanece limitada, o que justifica que, em determinados contextos, a suplementação possa ser considerada. Neste enquadramento, a suplementação com óleo de microalgas constitui uma estratégia eficaz para assegurar níveis adequados destes ácidos gordos essenciais. As microalgas representam a fonte primária de EPA e DHA na natureza, permitindo a obtenção destas
formas biologicamente ativas de origem vegetal, sustentável e isento de contaminantes(8). A evidência demonstra que a suplementação com microalgas aumenta de forma consistente os níveis plasmáticos de EPA e DHA em poucas semanas, com eficácia comparável ao óleo de peixe(11). Esta abordagem revela-se particularmente
relevante em fases de maiores necessidades nutricionais ou quando a capacidade de conversão se encontra reduzida. De forma geral, a literatura sugere que 200–300
mg/dia de EPA + DHA provenientes de microalgas podem ser suficientes para garantir adequação nutricional em padrões alimentares exclusivamente vegetais, devendo a sua utilização ser ajustada às necessidades individuais(8).


Conclusão

A alimentação plant-based é uma estratégia eficaz para promover saúde e sustentabilidade, mas exige um planeamento nutricional rigoroso, sobretudo no que respeita aos nutrientes cuja síntese ou disponibilidade alimentar é limitada. Entre eles, o ómega-3 assume particular relevância, dada a sua importância para a saúde cardiovascular, cerebral e mental. Embora o ALA esteja amplamente presente em alimentos de origem vegetal, as baixas taxas de conversão para EPA e DHA, associadas à ausência destes ácidos gordos em dietas vegetarianas estritas, tornam o ómega-3 um nutriente que requer especial atenção neste padrão alimentar. A integração de fontes vegetais ricas em ALA, aliada a estratégias que favoreçam a sua conversão, pode contribuir para melhorar o aporte global, mas nem sempre é suficiente para assegurar níveis ótimos de EPA e DHA. Neste contexto, a suplementação com óleo de microalgas surge como uma estratégia segura, eficaz e totalmente vegetal para garantir a adequação destes ácidos gordos essenciais, devendo a sua utilização ser avaliada de forma individualizada. Desta forma, uma alimentação plant-based bem estruturada, complementada quando necessário com EPA e DHA provenientes de microalgas, permanece completa, equilibrada e plenamente capaz de suportar a saúde e o bem-estar ao longo do ciclo de vida.


AUTORA: LAILA SULTAN

Laila Sultan é nutricionista, licenciada em Ciências da Nutrição pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, especializada em alimentação de base vegetal, tendo frequentado formações avançadas para oferecer acompanhamento especializado a este público. Vegetariana há 10 anos, compreende profundamente os desafios de quem deseja adotar ou consolidar uma dieta vegetariana, dedicando-se à criação de refeições saborosas e nutricionalmente equilibradas. O seu objetivo é descomplicar e desmistificar a alimentação vegetariana, tornando-a prática e prazerosa, com consultas personalizadas que respeitam preferências, rotinas e objetivos, promovendo saúde e bem-estar de forma sustentável. No percurso profissional, realizou estágios na ProVeg Portugal e na Clínica Daniela Seabra, frequentou formação em Consulta de Nutrição Vegetariana e em Gestão da Perda de Peso na Academia Clínica Espregueira (acreditada pela Ordem dos Nutricionistas) e é autora do artigo científico “Comparative assessment of the nutritional composition and degree of processing of meat products and their plant-based analogues”, publicado no Journal of Food Composition and Analysis.

Bibliografia:

  1. Hallam P. Nutrition Challenges and Opportunities When Shifting to Plant-BasedDiets. Nestle Nutr Inst Workshop Ser. 2024; 100:159-69.
  2. Willett W, Rockström J, Loken B, Springmann M, Lang T, Vermeulen S, et al. Foodin the Anthropocene: the EAT–Lancet Commission on healthy diets from sustainable food systems. The lancet. 2019; 393(10170):447-92.
  3. Kent G, Kehoe L, Flynn A, Walton J. Plant-based diets: a review of the definitions and nutritional role in the adult diet. Proc Nutr Soc. 2022; 81(1):62-74.
  4. Silva SC, Pinho JP, Borges C, Santos CT, Santos A, Graça P. Linhas de orientação para uma alimentação vegetariana saudável. 2015
  5. Capodici A, Mocciaro G, Gori D, Landry MJ, Masini A, Sanmarchi F, et al. Cardiovascular health and cancer risk associated with plant based diets: An umbrella
    review. PLoS One. 2024; 19(5):e0300711.
  6. Koeder C, Perez-Cueto FJA. Vegan nutrition: a preliminary guide for health professionals. Crit Rev Food Sci Nutr. 2024; 64(3):670-707.
  7. Dyall S, Michael-Titus A. Neurological benefits of omega-3 fatty acids. Neuromolecular medicine. 2008; 10(4):219-35.
  8. Saunders AV, Davis BC, Garg ML. Omega-3 polyunsaturated fatty acids andvegetarian diets. Med J Aust. 2013; 199(S4):S22-6.
  9. Burdge GC, Calder PC. Conversion of $\alpha $-linolenic acid to longer-chain polyunsaturated fatty acids in human adults. Reproduction Nutrition Development.
    2005; 45(5):581-97.
  10. Simopoulos AP. The importance of the ratio of omega-6/omega-3 essential fattyacids. Biomedicine & pharmacotherapy. 2002; 56(8):365-79.
  11. Bailey E, Wojcik J, Rahn M, Roos F, Spooren A, Koshibu K. Comparative Bioavailability of DHA and EPA from Microalgal and Fish Oil in Adults. International Journal of Molecular Sciences. 2025; 26(19):9343.
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